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Cultura e Turismo

A história e conservação do Alfenim

A guloseima já tem história entre a comunidade local que procura manter sua produção e tradição
 
Por Walkyria Jerônimo
 
A palavra Alfenim vem do árabe “al-fenid” e significa aquilo que é branco – alvo.
O alfenim era uma das gulodices orientais, muito popular em Portugal entre os séculos XV e XVI. O alfenim é um doce que chama atenção não só por seu sabor, mas da maneira como ele é feito; em formas de esculturas. Podem ser figuras de animais, flores, objetos e outros afins.
 
É o doce mais popular e tradicional na cidade de Agrestina, no agreste de Pernambuco. É encontrado em feiras livres, casas comerciais e durante celebrações e festas populares. A exemplo disso, tivemos a 96ª. Festa de Nossa Senhora do Desterro. Na festa, as vendas de Alfenins foram bastante intensas. Foram vendidos cerca de 25 mil Alfenins das famílias de Seu Cazuza, o maior produtor do município, Dona Neném e Marrom.



Sua preparação, trabalhosa, exige experiência para conhecer o ponto exato da calda, delicadeza e precisão para modelar com uma certa velocidade, a massa quente.
 

O alfenim hoje é um produto em risco de desaparecimento, mas a sua atuação em Agrestina é constante, pois os agrestinenses conservam esta tradição. São predominante idosas fazerem a guloseima e as novas gerações desconhecem desse doce, mas ainda assim há aqueles que procuram acompanhar essa tradição de fabricação e conservação do doce e preservá-lo significa garantir a continuidade do saber popular que liga diversos povos e tradições ao longo da história agrestinense.
 
O doce faz parte da cultura de Agrestina, assim como da gastronomia do Nordeste e do Brasil e procura-se restituir a dignidade do produto enquadrando aos produtos regionais artesanais ligados a comunidade, como é o caso e a região.
 

Vamos a receita?
 
O doce é feito da mistura de açúcar, água e vinagre ou limão. O melado permanece no fogo para “apurar” e chegar ao “ponto de bala”, e então é despejado em uma superfície de pedra ou madeira onde esfria naturalmente ou com a ajuda de gelo e água fria. A massa é manuseada e trabalhada com movimentos precisos e cadenciados, inicialmente com a ajuda de uma espátula e depois com as mãos, esticando e reincorporando o volume estendido à massa, até adquirir a textura, consistência e coloração desejada. Com a manipulação, a massa adquire gradualmente coloração esbranquiçada, efeito bastante curioso e interessante de se observar. A partir daí, é cortada em pequenos pedaços, modelados manualmente com formatos que seguem à inspiração do doceiro ou repetem formas tradicionais. É necessário trabalhar com bastante agilidade para não “perder o ponto” da massa. É comum utilizar goma seca (polvilho) nas mãos para facilitar a modelagem e proteger levemente contra o calor da massa. Em seguida, os doces delicados são dispostos em tabuleiros forrados, onde permanecem até terminarem de secar.