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Cultura e Turismo

Do ouro branco à arte da doçaria: Alfenim de Agrestina integra livro de comedoria popular Shakkar que percorre os caminhos do açúcar e a gastronomia pernambucana

Lançamento acontece na próxima sexta-feira no Festival de Inverno de Garanhuns

Com água, açúcar, algumas gotas de limão e uma modelagem, vemos o doce Alfenim tomar suas primeiras formas e adquirir a brancura da qual seu nome de origem faz referência, do árabe al-fenid, que significa aquilo que é branco. E toda essa receita de simplicidade também encantou a gastrônoma e professora de cozinha pernambucana, Ana Cláudia Frazão, que milita na área cultural em busca da valorização da culinária brasileira e da cultura local. Seu livro “Shakkar – A Cultura do Açúcar e os Saberes Tradicionais da Gastronomia em Pernambuco”, que contempla o Alfenim de Agrestina, será lançado na próxima sexta-feira (28), às 18h, no Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns, como parte da programação do 27° Festival de Inverno de Garanhuns, onde também acontecerá a palestra “Receituários Tradicionais: Sabores que se Perpetuam no Tempo”, com a participação do Secretário de Cultura e Turismo de Agrestina, Josenildo Santos.

Essa será a 6° publicação da série de livros “Comedoria Popular”, que aborda doces tradicionais produzidos a partir do açúcar. Shakkar, que remete a açúcar em sânscrito, revisita a história da cana-de-açúcar e os caminhos por ela percorridos até se tornar a maior riqueza da colônia lusitana e principal item de exportação por séculos. Além do Alfenim, o livro passeia por doces de outras quatro cidades pernambucanas, Itapissuma, Ipojuca, Lagoa Grande e Limoeiro, com o Biscoito Lambedor, Confeito de Festa, Dudu, Doces e Compotas. No ano de 2015, Ana Cláudia Frazão e sua equipe estiveram acompanhando a produção do Alfenim, em Agrestina, na casa de José Otaviano (Cazuza) e sua família, um dos raros produtores responsáveis pela salvaguarda dessa cultura e tradição no município, que de forma artesanal detém a maior produção do estado.

O Alfenim, que segundo o escritor, músico e jornalista, Claribalte Passos, não era só alimento, como também brinquedo, motivo de emoção e sonho de criança, e tinha alma apesar de sua vida curta, também sofreu as influências e modificações que o tempo promove nas antigas tradições, mas alma nunca acaba, por isso o tradicional Alfenim de Agrestina terá sua história preservada também através da obra de Ana Cláudia, na qual pôde ganhar pela primeira vez as páginas de um livro, bem como sua sua eternização.